A prova
de que a humanidade evoluiu mais nos últimos 50
anos do que em toda a sua história está
no critério utilizado pela revista Forbes para
a tipificação das 100 mulheres mais poderosas
do mundo.
A lista foi realizada tendo em conta o curriculum, a influência
e o reconhecimento internacional das mulheres políticas,
da realeza, das empresárias, juízas, jornalistas
e herdeiras de famílias endinheiradas.
O facto de se conseguir, a partir destes critérios,
elaborar uma listagem onde nos primeiros quatro lugares
encontramos fi-guras como Condoleezza Rice (secretária
de Estado norte-americana), Wu Chi (vice--primeira-ministra
e presidente da Câmara de Pequim) Sonia Gandhi (líder
do Partido do Congresso indiano), Laura Bush e Hillary
Clinton, sugere-nos imediatamente várias questões
no domínio da actual representação
do papel das mulheres.
| Mulheres
com mais poder nas décadas de 50, 60 e
70 em todo o mundo
Indira Gandhi,
filha de Pandita Nehru, pai da independência
indiana, foi a primeira mulher a ocupar o cargo
de primeiro-ministro da Índia, de 1966
a 1977 e de 1980 a 1984. Política hábil
e firme, lançou uma campanha de esterilização
dos homens para controlar a natalidade. Foi assassinada
em 1984.
Golda Meir.
Foi a primeira e única mulher primeiro-ministro
de Israel, uma das mais brilhantes diplomatas
do Médio Oriente, a par com uma notável
intervenção diplomática no
conflito israelo-palestiniano.
Jacqueline Kennedy,
mulher do mais famoso presidente dos Estados Unidos
da América, J. F. Kennedy, foi também
a primeira-dama que transformou a Casa Branca
na grande montra das artes e da cultura, alterando,
assim, profundamente o tradicional papel das consortes
dos presidentes.
Maria de Lurdes Pintasilgo, primeira e
única mulher primeiro-ministro portuguesa,
única mulher candidata à presidência
da República, esta engenheira química
marcou indelevelmente a política portuguesa,
apesar de ter governado apenas 100 dias.
Margaret Thatcher, conhecida como a Dama
de Ferro, foi sem dúvida nenhuma o político
que mais marcou a vida europeia nos anos 80, nomeadamente
na defesa intransigente das privatizações
e do papel da economia liberal no mundo moderno.
Simone Veil,
eleita presidente do Parlamento Europeu em 1982,
foi o rosto feminino que mais marcou a Europa,
sobretudo por ter corporizado a Shoa, isto é,
o holocausto.
Madeleine Albright,
filha de Josef Korbel, refugiado checo, especialista
em assuntos soviéticos, ficou na história
como a primeira mulher secretária de Estado
norte-americana e uma das diplomatas que mais
marcou a década de 90, nomeadamente pelo
seu papel nas relações israelo-palestinianas,
com a assinatura dos acordos de Oslo.
Farah Diba representava
na década de 70 a sofisticação
da mulher moderna. Não só tinha
glamour como influenciava a política cultural
do seu país através da ocidentalização
da sociedade iraniana. Em 1979, um grupo de fundamentalistas
muçulmanos depôs o Xá da Pérsia,
o último reduto ocidental no Irão.
Juntamente com Farah Diba, sua mulher, embarcam
rumo ao exílio.
Eva Perón,
a mulher responsável pela subida ao poder
de Juan Perón, seu marido, e a figura política
mais mítica da história da Argentina.
Foi, por isso, a primeira-dama daquele país
e a mulher mais idolatrada pelas massas argentinas
descamisadas. |
A primeira constatação
prende-se, claramente, com a mudança radical dos
conteúdos da equação: as mulheres
e o poder. De facto, hoje, o critério de avaliação
é determinado pelo curriculum individual, ao contrário
do que acontecia nas décadas de 50, 60 e mesmo
de 70.
Neste período histórico,
a ideia de poder estava materializada em mulheres como
Eva Perón, Jacqueline Kennedy, Isabel II, Farah
Diba da Pérsia ou a rainha Noor da Jordânia.
O desempenho pessoal era, assim, o resultado das suas
relações matrimoniais, como se se tratasse
de uma efectiva delegação de poder e aí
o que sobressaía era a função social
de representação. Com excepção
de Isabel II, nenhuma outra mulher tinha poder à
escala mundial.
Em Portugal, a engenheira Maria de Lurdes Pintasilgo representou
um marco histórico ao tornar-se na única
mulher primeiro-ministro que Portugal conheceu.
Actualmente, o papel funcional das representantes do sexo
feminino alterou-se tão substancialmente que as
estratégias políticas e mundiais estão,
de facto, nas suas mãos.
Assim, Condoleezza Rice é a mulher
mais poderosa do mundo. A segunda é Wu
Chi, uma chinesa, presidente da Câmara
de Pequim. Há seis décadas que a China manda
matar primogénitos femininos. Uma mulher na vice--presidência
da China e na presidência da Câmara de Pequim
é um acontecimento ímpar na história
da emancipação das mulheres.
Pequim é uma cidade
com mais de 15 milhões de pessoas onde tudo está
ainda por fazer, nomeadamente ao nível das infra-estruturas
básicas, como a rede de esgotos, a distribuição
de água e a electrificação. Ainda
este ano a presidente da Câmara lançou uma
campanha que visava ensinar a população
da cidade a frequentar casas de banho públicas,
substituindo os tradicionais urinóis, edificados
por baixo de estacas, sem nunca serem limpos.
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Em cima,
Golda Meir, Eva Perón e, ao lado, Madeleine
Albright. |
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Ao lado,
Laura Bush. Em baixo, Simone Veil e Sonia Gandhi. |
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Em
cima, a rainha Rania da Jordânia e a imperatriz
Farah Diba.
Em baixo, Margaret Thatcher e a rainha Isabel
II de Inglaterra.
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Em cima,
a rainha de Espanha, Hillary Clinton. Ao lado,
Indira Gandhi. Em baixo, Maria de Lurdes Pintasilgo
e Jacqueline Kennedy. |
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Sonia Gandhi, mulher
do filho mais ve-lho de Indira Gandhi, actual líder
do Partido do Congresso indiano, ocupa a terceira posição.
Ainda recentemente esta deputada foi proposta pelo seu
partido para candidata à presidência da República,
o que causou uma grande polémica em virtude do
papel histórico que a família Ghandi tem
desempenhado na Índia moderna.
Laura Bush é a quarta da lista
da Forbes. Laura, o amor da vida de George W. Bush, como
ele mesmo fez questão de anunciar aquando da sua
reeleição. Dizem os politó-logos
que o poder da mulher do Presidente advém-lhe justamente
desse facto. Isto é, trata-se de um poder lateral,
chamado ma-gistratura de influência, e não
o seu exercício efectivo.
Hillary Clinton. Apontada como a mais
séria candidata democrata às eleições
de 2008, conhecida como uma das 10 me-lhores advogadas
americanas, foi a primeira--dama norte-americana a desempenhar
funções políticas e administrativas
específicas, nomeadamente na área da saúde.
É a quarta mulher com mais poder em todo o mundo.
Isabel II vem na vigésima segunda
posição. Este lugar na lista dos poderosos
é surpreendente. Não só porque nos
permite constatar as profundas mudanças políticas
operadas em todo o mundo – era suposto a rainha
representar ainda a magnificência do poder institucional,
o que esta listagem não revela – como constitui
um bom exemplo para estudarmos o modo de transferência
dos poderes, hoje, sem dúvida, assente numa vertente
mais económica do que social.
Rania Al Abdulah, rainha da Jordânia,
é a décima terceira mulher mais poderosa
do planeta. E é também considerada uma das
mais elegantes do mundo. Desta vez, o critério
que contribuiu para diferenciar Rania foi o reconhecimento
internacional do papel social e político que a
rainha desempenha no seu reino.
Aung Sang Suu Kyi, Nobel da Paz, líder
da oposição birmanesa, presa há mais
de uma década pelas autoridades do seu país,
ocupa o quadragésimo quinto lugar da lista da Forbes.
Sofia de Espanha,
a única rainha viva que representa a matriz mediterrânica
da cultura ocidental. Sofia, de origem grega, filha
de reis, ocupa o trigésimo lugar e aparece como
simbolizando uma verdadeira magistratura de influência,
sobretudo nos países da América Latina,
onde o caste-lhano é a língua oficial.
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