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SOCIEDADE

Políticas, monarcas, mulheres de políticos. Elas ditam as regras do planeta. Saiba quem são as mulheres mais poderosas do mundo. E porquê.
Por Ana Paula Lemos

A prova de que a humanidade evoluiu mais nos últimos 50 anos do que em toda a sua história está no critério utilizado pela revista Forbes para a tipificação das 100 mulheres mais poderosas do mundo.

A lista foi realizada tendo em conta o curriculum, a influência e o reconhecimento internacional das mulheres políticas, da realeza, das empresárias, juízas, jornalistas e herdeiras de famílias endinheiradas.
O facto de se conseguir, a partir destes critérios, elaborar uma listagem onde nos primeiros quatro lugares encontramos fi-guras como Condoleezza Rice (secretária de Estado norte-americana), Wu Chi (vice--primeira-ministra e presidente da Câmara de Pequim) Sonia Gandhi (líder do Partido do Congresso indiano), Laura Bush e Hillary Clinton, sugere-nos imediatamente várias questões no domínio da actual representação do papel das mulheres.

Mulheres com mais poder nas décadas de 50, 60 e 70 em todo o mundo

Indira Gandhi, filha de Pandita Nehru, pai da independência indiana, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Índia, de 1966 a 1977 e de 1980 a 1984. Política hábil e firme, lançou uma campanha de esterilização dos homens para controlar a natalidade. Foi assassinada em 1984.

Golda Meir. Foi a primeira e única mulher primeiro-ministro de Israel, uma das mais brilhantes diplomatas do Médio Oriente, a par com uma notável intervenção diplomática no conflito israelo-palestiniano.

Jacqueline Kennedy, mulher do mais famoso presidente dos Estados Unidos da América, J. F. Kennedy, foi também a primeira-dama que transformou a Casa Branca na grande montra das artes e da cultura, alterando, assim, profundamente o tradicional papel das consortes dos presidentes.

Maria de Lurdes Pintasilgo
, primeira e única mulher primeiro-ministro portuguesa, única mulher candidata à presidência da República, esta engenheira química marcou indelevelmente a política portuguesa, apesar de ter governado apenas 100 dias.

Margaret Thatcher
, conhecida como a Dama de Ferro, foi sem dúvida nenhuma o político que mais marcou a vida europeia nos anos 80, nomeadamente na defesa intransigente das privatizações e do papel da economia liberal no mundo moderno.

Simone Veil, eleita presidente do Parlamento Europeu em 1982, foi o rosto feminino que mais marcou a Europa, sobretudo por ter corporizado a Shoa, isto é, o holocausto.

Madeleine Albright, filha de Josef Korbel, refugiado checo, especialista em assuntos soviéticos, ficou na história como a primeira mulher secretária de Estado norte-americana e uma das diplomatas que mais marcou a década de 90, nomeadamente pelo seu papel nas relações israelo-palestinianas, com a assinatura dos acordos de Oslo.

Farah Diba representava na década de 70 a sofisticação da mulher moderna. Não só tinha glamour como influenciava a política cultural do seu país através da ocidentalização da sociedade iraniana. Em 1979, um grupo de fundamentalistas muçulmanos depôs o Xá da Pérsia, o último reduto ocidental no Irão. Juntamente com Farah Diba, sua mulher, embarcam rumo ao exílio.

Eva Perón, a mulher responsável pela subida ao poder de Juan Perón, seu marido, e a figura política mais mítica da história da Argentina. Foi, por isso, a primeira-dama daquele país e a mulher mais idolatrada pelas massas argentinas descamisadas.

A primeira constatação prende-se, claramente, com a mudança radical dos conteúdos da equação: as mulheres e o poder. De facto, hoje, o critério de avaliação é determinado pelo curriculum individual, ao contrário do que acontecia nas décadas de 50, 60 e mesmo de 70.

Neste período histórico, a ideia de poder estava materializada em mulheres como Eva Perón, Jacqueline Kennedy, Isabel II, Farah Diba da Pérsia ou a rainha Noor da Jordânia.

O desempenho pessoal era, assim, o resultado das suas relações matrimoniais, como se se tratasse de uma efectiva delegação de poder e aí o que sobressaía era a função social de representação. Com excepção de Isabel II, nenhuma outra mulher tinha poder à escala mundial.

Em Portugal, a engenheira Maria de Lurdes Pintasilgo representou um marco histórico ao tornar-se na única mulher primeiro-ministro que Portugal conheceu.

Actualmente, o papel funcional das representantes do sexo feminino alterou-se tão substancialmente que as estratégias políticas e mundiais estão, de facto, nas suas mãos.

Assim, Condoleezza Rice é a mulher mais poderosa do mundo. A segunda é Wu Chi, uma chinesa, presidente da Câmara de Pequim. Há seis décadas que a China manda matar primogénitos femininos. Uma mulher na vice--presidência da China e na presidência da Câmara de Pequim é um acontecimento ímpar na história da emancipação das mulheres.

Pequim é uma cidade com mais de 15 milhões de pessoas onde tudo está ainda por fazer, nomeadamente ao nível das infra-estruturas básicas, como a rede de esgotos, a distribuição de água e a electrificação. Ainda este ano a presidente da Câmara lançou uma campanha que visava ensinar a população da cidade a frequentar casas de banho públicas, substituindo os tradicionais urinóis, edificados por baixo de estacas, sem nunca serem limpos.

Em cima, Golda Meir, Eva Perón e, ao lado, Madeleine Albright.
Ao lado, Laura Bush. Em baixo, Simone Veil e Sonia Gandhi.
Em cima, a rainha Rania da Jordânia e a imperatriz Farah Diba.
Em baixo, Margaret Thatcher e a rainha Isabel II de Inglaterra.

Em cima, a rainha de Espanha, Hillary Clinton. Ao lado, Indira Gandhi. Em baixo, Maria de Lurdes Pintasilgo e Jacqueline Kennedy.
Sonia Gandhi, mulher do filho mais ve-lho de Indira Gandhi, actual líder do Partido do Congresso indiano, ocupa a terceira posição. Ainda recentemente esta deputada foi proposta pelo seu partido para candidata à presidência da República, o que causou uma grande polémica em virtude do papel histórico que a família Ghandi tem desempenhado na Índia moderna.

Laura Bush é a quarta da lista da Forbes. Laura, o amor da vida de George W. Bush, como ele mesmo fez questão de anunciar aquando da sua reeleição. Dizem os politó-logos que o poder da mulher do Presidente advém-lhe justamente desse facto. Isto é, trata-se de um poder lateral, chamado ma-gistratura de influência, e não o seu exercício efectivo.

Hillary Clinton. Apontada como a mais séria candidata democrata às eleições de 2008, conhecida como uma das 10 me-lhores advogadas americanas, foi a primeira--dama norte-americana a desempenhar funções políticas e administrativas específicas, nomeadamente na área da saúde. É a quarta mulher com mais poder em todo o mundo.

Isabel II vem na vigésima segunda posição. Este lugar na lista dos poderosos é surpreendente. Não só porque nos permite constatar as profundas mudanças políticas operadas em todo o mundo – era suposto a rainha representar ainda a magnificência do poder institucional, o que esta listagem não revela – como constitui um bom exemplo para estudarmos o modo de transferência dos poderes, hoje, sem dúvida, assente numa vertente mais económica do que social.

Rania Al Abdulah, rainha da Jordânia, é a décima terceira mulher mais poderosa do planeta. E é também considerada uma das mais elegantes do mundo. Desta vez, o critério que contribuiu para diferenciar Rania foi o reconhecimento internacional do papel social e político que a rainha desempenha no seu reino.

Aung Sang Suu Kyi, Nobel da Paz, líder da oposição birmanesa, presa há mais de uma década pelas autoridades do seu país, ocupa o quadragésimo quinto lugar da lista da Forbes.

Sofia de Espanha, a única rainha viva que representa a matriz mediterrânica da cultura ocidental. Sofia, de origem grega, filha de reis, ocupa o trigésimo lugar e aparece como simbolizando uma verdadeira magistratura de influência, sobretudo nos países da América Latina, onde o caste-lhano é a língua oficial.














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