Matthew McConaughey - Charme texano
Vivia então um sonho…
Costumava questionar-me se isto seria legal [risos]. Regressei à escola de cinema e realizei algumas curtas-metragens. E em breve estava a caminho de Hollywood. O meu primeiro teste na meca do cinema foi para Boys i'n the Side, do Herbert Ross. E lá se foi o meu futuro como advogado.
E como tem sido este caminho?
De experiência e aprendizagem. Tentei superar as minhas dificuldades, melhorar.
Quais são então as personagens que mais o seduzem?
Acho que ultimamente tenho recebido propostas que me agradam. Foi o caso do filme de Friedkin (Killer Joe), do Soderbergh (Magic Mike) e também do Jeff Nichols (Mud) e do Lee Daniels (Paperboy). Desde logo porque são filmes de personagens muito específicas, que vivem à margem, solitárias em muitos casos. E com uma vontade determinada. Ao contrário de algumas personagens que interpretei no passado que cediam muito às vicissitudes da história. E isso não fazia muito sentido. De todas as formas, eu tinha de trabalhar. Os meus filhos tinham de comer. Mas estou bem, pago as minhas contas e mantenho um bom nível de vida. Por isso, digo que estou num período muito feliz da minha carreira. Não há um único dia em que não me sinta motivado para ir trabalhar.
Como ator procura sempre descobrir algo sobre si próprio em cada personagem que interpreta?
Claro. Posso sempre relacionar-me com a inocência, a pureza, o coração. Existe sempre algo para eu agarrar em cada personagem. São pedaços de emoção com que me relaciono.
Habitualmente, interpreta personagens de texano. Tem o cuidado de não criar estereótipos e de lhes conferir alguma dignidade?
A verdade é que a maioria das pessoas do Sul rural vive assim. Uma coisa interessante é que 60 por cento dos americanos não tem passaporte. As pessoas que nascem no Sul provavelmente passam grande parte da vida em tarefas da casa, do rancho, da terra. As ofertas de trabalho são quase sempre locais. Provavelmente nem nunca saem do Estado nem irão à capital. Muito menos a Nova Iorque ou até aqui ao Sul de França. É isso que se vê em Mud. No Sul, o tempo passa devagar, mas eu gosto disso.
Como compara essas duas mulheres do Sul, interpretadas por Nicole Kidman (Paperboy) e Reese Witherspoon (Mud)?
São duas atrizes fantásticas. As relações nos dois filmes são bem diferentes. Mas podemos dizer que são ambas personagens de mulheres inadaptadas, interpretadas por atrizes que respeitam muito o seu trabalho. A Nicole tem imenso talento para criar personagens diferentes dela própria. E a Reese é capaz de mostrar no ecrã uma determinação e uma força enormes.
É para si fácil sair destas personagens e fechá-las num armário? Tem alguma que insista em o perseguir?
Acho que não tenho nenhuma que me persiga. Acabo por transportar algumas delas no meu bolso.
Vê-se a regressar aos seus filmes de aventura mais comerciais?
Não fiz nenhum voto para não fazer mais esse género de filmes. Se me sentir bem e se puder acrescentar algo, porque não? Não tenho nada contra comédias românticas. Diverti-me sempre muito. Mas são desafios diferentes.
Depois de tantos projetos que rodou sucessivamente, receia que isso acabe um dia?
Sinto-me mais feliz quando trabalho.
E quando não trabalha, o que o preenche mais? A família?
Sem dúvida. O que prefiro é poder trabalhar e ter a minha família perto de mim. Por isso, não penso muito se vou ter trabalho ou não. É claro que um dia terei menos trabalho, mas a proximidade deles ajuda-me bastante.
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