Um templo a Diana

Editora, curadora e ícone, Diana Vreeland é uma figura incontornável da moda do século XX. A exposição Diana Vreeland after Diana Vreeland, em Veneza, serviu de homenagem, fazendo brilhar ainda mais sobre si uma luz que nunca se apagou. Agora será editado o...
Por Carolina Carvalho

Um templo a Diana

Editora, curadora e ícone, Diana Vreeland é uma figura incontornável da moda do século XX. A exposição Diana Vreeland after Diana Vreeland, em Veneza, serviu de homenagem, fazendo brilhar ainda mais sobre si uma luz que nunca se apagou. Agora será editado o livro.

Ainda Anna Wintour era adolescente quando em 1962 chegou aos escritórios da Vogue, em Nova Iorque, a primeira editora-estrela da história da moda. Sam Newhouse comprara o grupo Condé Nast em 1959 e reza a lenda que a sua mulher exigiu que a Vogue tivesse a melhor editora do momento. E quem mais poderia ele contratar senão Diana Vreeland? Por esta altura, a sua lendária carreira ia apenas a meio e ficavam já para trás 26 anos de trabalho na Harper’s Bazaar.

Lisa Immordino Vreeland, casada com um dos netos da editora, apresentou recentemente um livro e um documentário, ambos com o nome Diana Vreeland: The eye has to travel.

A forma curiosa como começou a trabalhar na Harper’s Bazaar leva-nos a crer que Diana Vreeland estava destinada a ser uma referência na moda. O olho perspicaz de Carmel Snow, a editora-chefe desta publicação na década de 30, viu numa jovem socialite que usava um vestido Chanel em renda branca e dançava descontraída no Claridge’s, uma valiosa colaboradora para a sua revista.

Diana Dalziel nasceu em Paris, em 1903, e quando começou a escrever a crónica Why don’t you…? (Porque não…?) na Bazaar, já era casada com o banqueiro Thomas Reed Vreeland, de quem teve dois filhos. Depressa se tornou Editora de Moda e uma autoridade na área, contribuindo para o lançamento de nomes como Diane von Furstenberg, Manolo Blahnik, Missoni e o fotógrafo Richard Avedon, com quem trabalhou lado a lado durante duas décadas. Diana Vreeland foi amada, odiada, admirada, amiga de Jackie Kennedy Onassis, conhecida por querer pintar a sua casa de Nova Iorque de vermelho como um jardim do Inferno. Diz-se ainda que a diretora da revista de moda do filme Funny Face foi criada à sua imagem.

 
Diana Vreeland foi amada, odiada, admirada...Diana Vreeland after Diana Vreeland é o nome de uma grande exposição, que esteve patente em Veneza, dedicada a esta figura que é um dos pilares da moda do século XX. Mas como fazer uma mostra sobre a mulher que passou os últimos anos da sua vida e carreira desempenhando o cargo de Special Consultant no Costume Institute do Metroplitan Museum de Nova Iorque?

Diana Vreeland tinha acabado de sair da Vogue quando, aos 70 anos, achou que era cedo para se reformar e por isso aceitou o convite e desafio de dar ao museu uma nova vida. E nas 14 exposições pelas quais foi responsável, experimentou-se de tudo um pouco: luzes, cheiros e manequins que se tornaram autênticas personagens. Estes projetos preencheram os seus dias durante quase duas décadas que, com o aproximar da sua morte em 1989, eram passados cada vez mais em casa e menos no museu.

O Palazzo Fortuny, em Veneza, não se limitou a expor peças de roupa e revistas – convidou a uma visita pelo complexo legado da famosa editora. Em exibição esteve o trabalho editorial de décadas que quebrou barreiras e criou referências através de um olhar único, bem como roupas da coleção da própria Diana Vreeland e peças icónicas da história da moda, que viajaram desde o Met Museum e arquivos de várias marcas para mostrar ao público o fenómeno da moda e o seu impacto do ponto de vista social e cultural.

O edifício que já foi um dia o atelier do artista espanhol Mariano Fortuny foi o palco perfeito para homenagear a visionária Diana Vreeland. A moda preocupa-se em avançar cada vez mais depressa, mas não se esquece das suas figuras do passado e, mesmo 23 anos depois da sua morte, há muito para aprender com a obra de Diana Vreeland.

O livro que leva o mesmo título da exposição é de autoria de Maria Luisa Frisa e Judith Clark e será lançado em Setembro.

Etiquetas: Moda, Diana Vreeland, Anna Wintour, Revistas, Palazzo Fortuny, Veneza
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