
Ao fim de 60 preenchidos anos, celebrados este ano, a Givenchy continua a ser uma referência incontornável na moda e na beleza. Dos primeiros filmes de Audrey Hepburn às divas da atualidade, o sucesso mantém-se, mas as modas mudam e a própria maison também.
Branco, preto, rosa e verde. O desfile da casa Givenchy para este verão 2012 pintou-se de cores lisas e coordenados monocromáticos, onde sobressaíram o brilho das lantejoulas e, claro, os cortes arquitetónicos a que Riccardo Tisci já nos habituou. Tal como o próprio fundador, Hubert de Givenchy, o novo senhor da maison francesa não é grande fã de padrões. E não é que o criador italiano tenha falhado as tendências coloridas desta estação, mas ele já nos provou que faz a sua própria moda. Numa perfeita adaptação da herança da casa ao seu estilo, a estética das coleções de Tisci para Givenchy mistura robustez com graciosidade e inspirações góticas com pormenores femininos.
ALTA-PERFUMARIA
A história da perfumaria Givenchy começa em 1957, quando, inspirado pela sua musa Audrey Hepburn, Hubert de Givenchy pede a um perfumista que crie uma fragrância representativa da elegância, estilo e magia da atriz. Assim nasceu L’Interdit, um sucesso imediato que transmitia a sedução romântica de um bouquet de notas florais, dominadas pela aura de uma sensual rosa do oriente. Ao longo das décadas foram desenvolvidas outras fragrâncias reveladoras do espírito das suas épocas, acompanhando as ambiguidades femininas num mundo em desenvolvimento. Givenchy III, L’Eau de Givenchy e Ysatis são disso bons exemplos. Nos anos 90, Amarige vem celebrar a alegria através de notas florais e, na mesma década, Organza encarna a sedução carnal da feminilidade universal, numa ode às deusas gregas. Mais recentemente, em Very Irrésistible Givenchy interpreta a história de uma musa com uma forte personalidade. Liv Tyler assume o papel de uma mulher contemporânea desta saga, que continua, ainda hoje, a ser escrita. E que, após quase 60 anos a criar fragrâncias icónicas, promete ainda muitas mais surpresas agradáveis.
Este ano a Givenchy comemora um aniversário muito especial. Completam-se 60 anos desde que M. Hubert de Givenchy fundou a casa com o seu nome. Em 1952, a moda vivia um dos seus momentos mais esplendorosos e Paris era o seu palco por excelência. A obra deste criador, conhecido como o aristocrata da moda, que começou a trabalhar com os mestres do seu tempo aos 18 anos, não fica apenas eternizada nas fotografias de Richard Avedon, Irving Penn ou nas ilustrações de René Gruau. Nos ecrãs de cinema deslumbraram algumas das mais famosas criações de Givenchy, sempre usadas pela sua mais famosa diva e amiga Audrey Hepburn. Conheceram-se aquando do filme Sabrina, mas o melhor exemplo é o icónico vestido preto que usa no início de Breakfast at Tiffany’s, que até brilha mais do que as joias na montra da loja. A atriz foi apenas uma das muitas divas que adoravam o criador e continuam a adorar a Givenchy. A casa tornou-se parte do grupo LVMH em 1987 e tem-se mantido sempre na linha da frente de uma indústria que se movimenta cada vez mais depressa.
Em julho de 1995, Hubert de Givenchy apresentou o seu último desfile e nesse mesmo ano deu à Máxima uma entrevista exclusiva e muito pessoal onde confessou: “Penso que é uma questão de sensatez ceder, agora, o meu lugar a outra pessoa e fazer outras coisas, porque tenho muitos interesses na vida e muitos amigos, como é o caso da Duquesa do Cadaval. Não terei razões para me entediar. Sou, de resto, um homem muito feliz.” Nos dez anos que se seguiram à saída do fundador passaram pela direção criativa da casa nomes tão relevantes como John Galliano, Alexander McQueen e Julien McDonald, quando eram ainda jovens talentos, acabando por ficar Riccardo Tisci com o cobiçado lugar.
Já lá vão seis décadas de intensa atividade, que não parece abrandar com o tempo. Pelo contrário. Riccardo Tisci tem a seu cargo neste momento seis coleções de moda por ano, entre outros projetos da casa, o que nos dá apenas uma certeza: neste preciso momento, no n.º 3 da Avenue George V, em Paris, a atual morada dos ateliers Givenchy, trabalha-se com grande secretismo.